Partimos para o jogo sem pressão, sabendo que o favorito estaria do outro lado, mas conscientes de que com trabalho e confiança lutaríamos pelo resultado do jogo.
Começamos o jogo como sempre, numa defesa 5:1, sabendo que do outro lado estavam jogadores fisicamente superiores na 1ª linha, e conhecendo o jogo com os pivots que o ABC costuma utilizar.
Inicialmente sentimos dificuldades esperadas, com os remates de meia distância quando não saíamos ao portador da bola, ou com o jogo com o pivot quando abríamos mais espaço na defesa.
Em termos ofensivos, nem sempre encontramos espaços na defesa 5:1 do adversário, que apesar de pouco móvel, era composta por jogadores grandes e com grande envergadura. O nosso problema era quase sempre a ineficácia na circulação de bola e no ataque aos espaços, pois era individualizado e pouco inteligente.
As nossas falhas ofensivas eram quase sempre seguidas de contra-ataques do adversário, com destaque para o ponta direito que surgia sempre em grande velocidade e mantinha numa eficácia tremenda.
Fomos melhorando na defesa, acertamos marcações, trocas e fomos mais agressivos, e ainda conseguimos roubar algumas bolas e provocar falhas técnicas no adversário. Permitiu-nos alguns contra-ataques e mais situações para finalizar. Porém, mais uma vez, a nossa eficácia foi baixa. Do outro lado estava um guarda-redes de grande potencial e que fez uma grande exibição, sendo que na 1ª parte ainda começou discreto mas foi melhorando e mostrando serviço ao longo do jogo.
Até ao intervalo estivemos quase sempre em desvantagem, por 1 ou 2 golos, sempre num jogo muito disputado e equilibrado, mas correcto.
Ao intervalo o resultado 15-16 espelhava o tal equilíbrio, e pedia-se que na 2ª metade acertássemos marcações os jogadores mais perigosos adversários (ponta direito, e o jogo com o pivot), e que escolhêssemos melhor as situações de ataque, e tivéssemos uma maior eficácia.
Porém a toada no início da 2ª parte foi a mesma. Golo de uns, golo dos outros, falha de uns, falha de outros, ataques onde a decisão foi a menos favorável, e assim ia um jogo com mais emoção do que cabeça.
Da nossa parte, a defender continuamos a dar espaços amiúde aos pivots, porém o ponta direito teve menor influência, e além das bolas recuperadas, ainda obrigamos a 1ª linha adversária a cometer alguns erros de palmatória, fruto da pressão e da capacidade de trabalho por nós demonstrada.
Em termos ofensivos a 2ª parte foi similar à 1ª com uma diferença: decidimos mais vezes melhor, tomamos a melhor opção para o remate, porém falhamos mais remates. Mérito do guarda-redes contrário obviamente, mas também alguma previsibilidade dos nossos atletas que não tinham a calma e o sangue frio para ultrapassarem com sucesso um adversário poderoso.
Caminhávamos para o final do jogo, e a conseguimos o empate quando faltavam cerca de 7 minutos para o fim. Mesmo em inferioridade numérica durante muito tempo, soubemos sofrer, soubemos lutar, e conseguimos manter sempre o jogo empatado.
Nesta fase, já com o coração na cabeça, mas com uma enorme alma, conseguimos manter-nos sempre a vencer por 1 ou empatados, e conseguimos terminar o jogo com um golo, e depois 20 segundos a defender a vantagem. E assim ganhamos!!!
Em termos emocionais fomos grandes, apesar das muitas falhas, precipitações, erros de discernimento, e tomadas de decisão, fomos realmente uns lutadores, e deixamos em campo tudo o que tínhamos. Por isso só posso dizer que foi mais do que justo.
+ positivo: a vitória: em termos psicológicos é óptimo ganhar aquela equipa que todos dizem ser a melhor; o coração e ambição da equipa: demonstraram que realmente dão tudo o que têm e apesar de nem sempre correr bem tentam e voltam a tentar sem receio; atitude defensiva: cometemos erros, falhamos individualmente, falhamos colectivamente, mas não há defesa mais disponível e lutadora que esta.
+ negativo: pela 2ª jornada seguida encontramos um guarda-redes de grande nível, porém a eficácia global foi menor que 50%, isto é, nem metade dos remates que fizemos foram golo; a ingenuidade e alguma dificuldade na tomada de decisões da equipa principalmente sobre maior pressão: não conseguimos escolher a melhor opção com sucesso (Muito coração e pouca cabeça).
Com este resultado mantemos a posição, em igualdade pontual com o ABC, porém com desvantagem no confronto directo (perdemos por mais golos), e mantemos intactas e muito promissoras as nossas possibilidades de passar à próxima fase.
Saudações,
Danilo Ventura











